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'A história do jazz foi escrita e apagaram a África dela', afirma vocalista do Afrojazz



O cenário se passa na cidade do Rio de Janeiro, no ano 2011. O carioca Eduardo Santana, na época com 26 anos, fazia parte do movimento “Nova Lapa Jazz”, um grupo que se apresentava pelas ruas da cidade maravilhosa, levando cultura para os moradores de diversas localizações.

Enquanto tocava, Eduardo sempre se questionava sobre a origem da melodia que movia sua paixão, e a resposta nunca era o suficiente. A história diz que o jazz surgiu em Nova Orleans, nos EUA e teve um boom nos anos 20. A história também diz que esse é um ritmo que surgiu com os escravos que ali moravam.

Se o Jazz vinha dos escravos, e os escravos eram trazidos para o continente americano através de navios negreiros partindo da África, logo faltava algo na história quanto a origem desse ritmo e foi exatamente nesse ponto que Eduardo focou sua pesquisa.

Na Universidade Federal do RJ, o músico cursava bacharelado em trompete e precisava realizar um trabalho acadêmico na disciplina de “produção e criação de texto”. Foi aí que Eduardo aproveitou seu questionamento e focou sua pesquisa sobre o jazz e sua origem.

O resultado desse trabalho foi objetivo: o jazz nasceu na África e se deslocou para outros continentes ganhando novas influências e interpretações. “Já que o jazz é uma manifestação de escravos no continente americano, somos obrigados a sair da ingenuidade e perceber que tem mais coisas aí”, afirmou. “Em todos os lugares que esse ritmo chegou, teve sua mutação e influências locais, mas uma coisa é certa: o jazz é uma manifestação africana na América”, disse,

“A história foi escrita dessa maneira e apagaram a África dela. ”


Para colocar em prática sua pesquisa, Eduardo resolveu montar, em 2012, uma banda com o mesmo nome que guiava seus estudos: Afrojazz. O intuito da banda era colocar em prática esses ritmos que ele vinha descobrindo com seus estudos e juntar influências de outros locais.

Em sua trajetória, o carioca conheceu outros músicos com quem dividiu esse sonho e teve apoio para colocar em prática o projeto. Foram eles: Rafael Brito no Sax Tenor, Sidão Santos no Baixo, Felipe Chernicharo na Guitarra, Thiago Silva na Bateria, Roque Miguel na Percussão e Eduardo no trompete e voz.

Depois Rodrigo Ferrera assumiu o baixo, Daniel Conceiçao a bateria e Oswaldo Lessa o sax . O restante da banda se manteve até hoje.

“O resultado do nosso trabalho é uma pesquisa dos sons em seu estado natural, os ritmos das regiões de onde saíram e, também, essa mutação quando a música chega em outra região, como ela se comporta em outras culturas”, afirmou.

A banda, que surgiu como parte de um trabalho acadêmico, acabou estourando e ganhando outros lugares do mundo. Em 2014, o Afrojazz foi convidado para participar de um campeonato de jazz na China.

No final do torneio, eram apenas três vencedores, mas a organização resolveu abrir uma exceção para ter o 4º lugar, pois tinham gostado muito da apresentação do quarteto carioca. No fim, eles acabaram levando o prêmio também.

“No nosso trabalho, temos a África como matriz, mas pegamos as influências de todos os outros lugares. ”


“A gente não vê a música como uma competição, mas foi interessante estar em um lugar no qual estávamos sendo avaliados por uma comissão especialista em jazz, tendo bandas do mundo inteiro”, disse.

No ano seguinte, em 2015, o Afrojazz foi convidado para voltar à China em uma turnê em algumas cidades do país. Foram dez shows no total. “Foi um momento de muita felicidade, que entendemos que estávamos no caminho certo”, lembrou Eduardo.

A cena do Jazz no Brasil


Quando questionado sobre a cena do jazz no Brasil, Eduardo vai contra aos que dizem que o gênero está se fortalecendo e aumentando no país. “A cena do jazz no brasil é uma cena que não existe. É duro falar isso, mas eu sinto falta dessa cena, sinto falta de uma ressignificação do jazz. A gente pensa, o que é o jazz? O jazz é atual, precisamos provocar a discussão sobre o jazz. O jazz não é um termo que ficou em 1920, ele veio avançando”, afirmou.

Ele acredita que falta o jazz se atualizar aos novos tempos, e essa mudança cabe aos músicos fazerem para não se tornarem museus. “O jazz está mais vivo do que nunca, mas ele precisa de uma ressignificação. Esse jazz que a gente conhece de terno e gravata, tomando whisky, esse morreu mesmo. Agora o termo jazz não, mas ele precisa de resignificar”, enfatizou.

Jazz e racismo


Circula pela internet uma frase atribuída à Nina Simone, uma das maiores cantoras de jazz que já existiu, na qual ela afirma que o “Jazz é um termo branco para definir o povo negro”. Não se sabe, de fato, se ela realmente fez essa afirmação, mas para Eduardo não é bem assim .

Segundo o carioca, incentivar uma briga não fortalece a arte da música. “Combatemos o racismo politicamente falando, mas também não vou embranquecer qualquer termo, não partimos desse ponto não”, afirmou.

O combate ao racismo se transforma em um ato político dentro dos shows do Afrojazz. “Ideologicamente e politicamente defendemos nossos ideais, damos nossos gritos. Não estamos ali meramente para ser uma atração vazia, queremos ser uma experiência que, de alguma forma, faça o público refletir sobre os temas que abordamos nos shows”, conclui.

E quem quiser acompanhar esse espetáculo de perto, o grupo Afrojazz se apresenta dia 11 de março, na Jazz Mansion que vai rolar no Nacional Club.

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